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sábado, maio 02, 2009

Ciúmes patriotas e o fenômeno vampiresco



Venho notando há muito tempo (talvez não muito, pelos meus quatorze anos e meio de idade), desde meados de 2005 que a popularidade dos artistas brasileiros se desgasta a cada segundo. Os mais velhos com certeza puderam perceber isto desde a década de 80. Mas o que vem ao caso é que brasileiros do mesmo nível de artistas internacionais (principalmente os que se autodenominam americanos, mas que são na verdade os ianques, os estadunidenses), não recebem o mesmo prestígio de que os que falam a língua inglesa.

E não é que os estrangeiros não gostem de nós, eles até podem reconhecer um ou outro artista brasileiro, eles até nos acham "legaizinhos". O problema é que nós, os próprios brasileiros, não damos o mesmo valor para os nossos próprios artistas. Qual o marmanjo que vai igualar Cláudia Abreu, Marjorie Estiano, Giovanna Antonelli e outras atrizes ("globais" ou não) a Jennifer Aniston, Angelina Jolie e Elizabeth Hurley? Não existe. Impossível.

Na música, a história talvez seja ainda pior. Skank, Capital Inicial e Jota Quest em hipótese nenhuma vão ser mais reconhecidos por nós do que as (até então) modinhas, a exemplo de Jonas Brothers (que eu admito, até gosto de algumas músicas), Demi Lovato e o musical mais comercial de todos os tempos, High School Musical.

Eu sei que a comparação é ridícula, porque para mim, e uma minoria, são estilos "um pouco" diferentes e níveis completamente desiguais, porque, desculpem-me fãs de JB, HSM e Demi, Skank, Capital e Jota ganham de lavada das jogadas de marketing da Disney. Se quiserem levar um rap e hip-hop então, meus leitores, consideremos os estadunidenses Eminem e Akon. Para os brasileiros, Marcelo D2 e MV Bill são lixo, se comparados à dupla estrangeira mencionada. E por aí vai.

Se quisermos comparar atores, por agora. O longa-metragem "Crepúsculo", baseado no romance de Stephenie Meyer, trouxe o galã mais badalado desde Leonardo DiCaprio em "Titanic": O ator britânico Robert Pattinson, que interpreta o "misterioso" vampiro Edward Cullen. Devo admitir que Pattinson realmente tem uma sorte em ter aquela aparência imortalizada pelas adolescentes de 12 a 17 anos do século XXI. Mas Rodrigo Hilbert, um ator brasileiro de qualidade, não é tão idolatrado e querido quanto o inglês.

Robert, por sua vez, foi coadjuvante no filme baseado no livro de J. K. Rowling, "Harry Potter e o Cálice de Fogo", atuando como o mago de Lufa-Lufa Cedric Diggory, que foi assassinado no final pelo Lord Voldemort. E acho que Robert Pattinson não foi reconhecido nem pelos seus próprios pais como um rapaz bonito, sendo que era exatamente igual ao que estava em Crepúsculo (claro, com umas chucas no cabelo e uma maquiagenzinha aqui e ali).

Stephenie, em sua saga comercial de livros, criou uma personagem masculina que praticamente não existe no mundo real. Não há uma fã da saga que não queira ser mordida e transformada no monstro vampiro pelo personagem de Pattinson, Edward Cullen. Por isso o filme foi fenômeno de bilheteria e o livro, um best-seller nos quatro cantos do mundo.

Enquanto isso, o brasileiro Rodrigo Hilbert faz suas novelas, interpretando um mocinho bem mais real e certo que Cullen. Talvez o segredo de Meyer seja o perfeccionismo do vampiro, ou a deturpação do mito popular. Ou talvez o próprio Edward Cullen e o todo-poderoso Robert Pattinson.

Voltando ao foco, percebe-se, claramente, o descrédito que nossos atores recebem de nós mesmos, que deveríamos idolatrá-los mais que idolatramos os estrangeiros. Porque qual adolescente adora um livro jovem totalmente brasileiro? Que conhece um autor brasileiro (eliminando os clássicos dos séculos passados) algum autor contemporâneo. Claro que a falta de anúncio prejudica o conhecimento da literatura brasileira juvenil. Mas enfim. Por quê? Por que nós temos a tendência de preferir os estadunidenses ao invés de nós mesmos?

Olha, para mim um dos fatores é a predominância da língua inglesa no Brasil e no mundo. Tenho 14 anos, farei 15 este ano e só os adolescentes sabem como é a sociedade jovem de sua época por completo. Em meu serviço de mensagens instantâneas, a maioria de meus amigos e colegas prefere colocar uma mensagem pessoal em inglês do que em português. É natural, onde todo o centro do capitalismo é relacionado ao idioma inglês.

Eu sei, porque eu mesmo faço isso. Gosto de mais músicas internacionais do que nacionais. A sociedade no geral prefere muito mais em Crepúsculo o Edward Cullen de Robert Pattinson dizer para a Isabella Swan de Kristen Stewart: "you are my life now" do que na antiga novela América, Edward, de Caco Ciocler, dizer para Sol, de Deborah Secco: "você é minha vida agora". Ou em qualquer outra novela, filmes ou peças brasileiras. As adolescentes preferem dizer "minha best" a "minha melhor".

Não que eu goste de novelas e que eu seja um patriota ao estilo ditadura militar. É que por estes fatores toda nossa cultura e toda a popularidade de nossa arte se desgastam a cada momento: porque os estrangeirismos estão fora de controle; porque os brasileiros jogam futebol muito melhor que os estadunidenses, mas os estadunidenses jogam muito mais que nós quando o esporte é apelo à massa adolescente e marketing apelativo e o fator que define tudo. Infelizmente, gosto não se discute.

Fonte: Diario Catarinense

Um comentário:

  1. Autor: João Vítor Roberge.

    Por favor, coloque o autor também ^^ é um texto de minha autoria. Obrigado

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